O Brasil registrou mais um mês de alta na inadimplência. Após o pior janeiro da história, o número de devedores cresceu 10,22% em relação a fevereiro de 2025. Já na variação mensal (de janeiro para fevereiro de 2026), a alta foi de 0,71%.
Centro-Oeste concentra maior proporção de inadimplentes
O quadro é ainda mais grave quando analisado por região. Em termos regionais, o maior percentual de inadimplentes está na região Centro-Oeste, onde 47,62% da população adulta está incluída em cadastros de devedores. Por outro lado, na região Sul, a proporção de negativados equivale a 39,75% da população adulta.
Em relação ao crescimento anual do número de inadimplentes, o Sul apresentou a alta mais expressiva, com crescimento de 9,81%, seguido pelo Sudeste (9,80%), Norte (9,16%), Centro-Oeste (7,67%) e Nordeste (7,58%).
Já no volume de novas dívidas em atraso por região, a maior alta veio da região Sul (18,11%), seguida pelo Sudeste (18,02%), Norte (17,96%), Centro-Oeste (15,41%) e Nordeste (14,18%).

Bancos lideram as dívidas por setor
A origem das dívidas revela onde o brasileiro mais perde o controle financeiro. Em termos de participação, o setor credor que concentra a maior parte das dívidas é o de Bancos, com 66,22% do total. Na sequência, aparece Água e Luz (10,56%), o setor de Outros com 9,04% e Comércio com 8,67% do total de dívidas.
Na variação anual do número de dívidas, destacou-se o setor de Água e Luz, com crescimento de 27,28%, seguido de Bancos (17,26%), Comunicação (14,82%) e Comércio (2,14%).
Devedor médio deve quase R$ 5 mil a 2 credores
Em fevereiro de 2026, cada inadimplente devia, em média, R$ 4.992,43. Além disso, cada devedor possui dívidas com cerca de 2,29 empresas credoras.
Os dados ainda mostram que quase três em cada dez consumidores (29,90%) tinham dívidas de valor de até R$ 500, percentual que chega a 42,51% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.
Jovens entre 30 e 39 anos são os mais afetados
A inadimplência no Brasil apresenta uma concentração significativa em adultos jovens.
A maior concentração de devedores está entre 30 e 39 anos, somando 18,01 milhões de pessoas — o que significa que mais da metade (53,12%) da população nesta faixa etária está negativada. A distribuição por gênero é equilibrada, com leve predominância feminina: 51,35% mulheres e 48,65% homens.
O alerta do setor
Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o cenário é preocupante para toda a cadeia econômica. "O avanço da inadimplência reflete o cenário desafiador que o brasileiro enfrenta para equilibrar o orçamento doméstico. Sem crédito e com a renda corroída, o consumo das famílias trava, o que impacta diretamente o dinamismo do comércio e de todo o setor de serviços, retardando a recuperação econômica do país."
O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, reforça que a saída exige disciplina: "Manter o nome limpo não é apenas uma questão de honra, mas um ativo estratégico; é o que garante ao cidadão o acesso a juros menores e a capacidade de realizar projetos futuros."
Uma perspectiva além dos números
Os dados revelam uma realidade que vai além da economia — tocam diretamente na dignidade e na paz das famílias brasileiras.
A Bíblia orienta sobre a seriedade das dívidas e a importância da sabedoria no uso dos recursos:
"O rico domina os pobres, e o que toma emprestado é servo do que empresta" (Provérbios 22:7).
O endividamento, quando fora de controle, rouba a liberdade e aprisiona gerações inteiras em ciclos de escassez.
Mas a mesma Escritura que alerta, também instrui: "Planeje com diligência os seus negócios, e haverá pão suficiente" (Provérbios 27:23-26, paráfrase).
O caminho para sair da inadimplência começa com um ato de coragem — encarar a realidade, reorganizar as finanças e buscar ajuda. Para quem tem fé, essa jornada não precisa ser feita sozinho.