Às vésperas do Dia do Trabalho de 2026, o governo tenta ampliar o acesso da população endividada a uma solução paliativa. Quem traz esta reflexão é o professor Kauê Lopes dos Santos da UNICAMP, para o site Poder e Mercado do canal UOL.

Segundo o professor, o programa Desenrola 2.0 permite acesso dos brasileiros a uma renegociação do passivo existente, que em muitos casos, apresenta em um efeito colateral ainda sem remédio: inadimplência.

Assim como várias outras iniciativas nesta área, o alívio é apenas momentâneo sem que isto represente uma perspectiva de mudança. Na verdade, o que existe é um problema estrutural no qual o governo, independente da linha ideológica, só trata o efeito mas não as causas.

Eric Brasil, Diretor da LCA, concedeu uma entrevista à CNN Economia. Ele comenta que o crescimento do endividamento desde o pós-pandemia está fortemente associado à expansão do crédito rotativo, especialmente no cartão de crédito e cheque especial.

Para Brasil, a combinação de crédito fácil e juros elevados cria uma dinâmica perigosa para o equilíbrio das contas familiares. Inclusive, isto está conectado com um tema que já trabalhamos aqui em outra publicação: a imprevisibilidade.

As pessoas continuam vivendo suas vidas como se tudo fosse acontecer exatamente como o planejado.

Pronto! Temos a tempestade perfeita: as dívidas nascem da expansão do crédito, onde os imprevistos da vida levam as famílias à inadimplência. Para este sistema “meteorológico” não existe nenhum programa de governo capaz de resolver.

Por quê? Porque a resposta nunca esteve no governo em sua totalidade. Esperar que o governo sempre resolva algo oriundo das escolhas pessoais, é o mesmo que entrar em uma briga e chamar outra pessoa para lutar.

Por outro lado, entendo que os governantes precisam olhar de uma forma menos política para o assunto e mais formacional. Neste sentido existem várias recomendações de economistas para o tema.

Voltando naquilo que está ao nosso alcance, gostaria de refletir sobre um ponto importante: não podemos esquecer que boa parte do problema está na forma como as famílias usam as ofertas de créditos no seu dia a dia.

Isto pressupõe uma mudança de mentalidade por parte das pessoas no que tange ao atendimento de suas necessidades e desejos.

O que não dá mais é, viver com o modelo mental atual sobre finanças e esperar resultados diferentes.

Na prática isto é loucura, e nenhum programa do governo vai resolver.

Pense nisto.

Considerando a palavra metanoia, cujo significado é central no Novo Testamento (Romanos 12:2), precisamos também de uma mudança radical na forma como pensamos sobre finanças.

Somente desta forma vamos reescrever nossa história.