A modernidade líquida é um conceito criado pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman para descrever a sociedade contemporânea (pós anos 60), marcada pela fragilidade, fluidez e instabilidade das relações sociais, econômicas e pessoais (*).
Diferente da modernidade sólida que buscava estruturas duradouras, o mundo líquido é marcado pelo efêmero. Ou seja, na prática tudo é passageiro, instável, individual e orientado pelo consumo.
Focando no individualismo e consumo, toda a lógica do mercado é estruturada para fazer as coisas durarem pouco e os desejos insaciáveis.
Esta falta de contentamento permanente nas pessoas é uma das consequências mais visíveis desta “liquidez”.
Usar um par de tênis por mais do que 4 meses parece algo impensável atualmente (isto me faz lembrar do tempo em que comprávamos 1 par de tênis por ano).
O problema é que toda está modernidade está pautada no “valor” das coisas que você tem.
Criou-se neste sentido todo um aparato para que o capitalismo consiga progredir desenfreadamente por meio do consumo irracional oriundo de gatilhos emocionais e sociais.
Nesta Era da Economia Comportamental, as pessoas não estão mais preocupadas com a qualidade e durabilidade. Tudo o que importa é a marca estampada na camiseta que não dura muito mais do que 2 “lavagens” na “lavanderia da moda”.
O consumo emocional e as armadilhas do mercado
Neste contexto, as empresas utilizam diferentes estratégias para converter os seus impulsos de compras em faturamento.
Por exemplo, uma empresa de telefonia apresenta 2 opções de pacotes de assinatura:

Qual você compraria?
Claramente o combo parece a melhor opção. Certo?
ERRADO!
Na prática o que a empresa quer é vender o pacote mais caro. Para ela é muito mais vantajoso sob vários aspectos. Então ela usa de elementos emocionais para te manipular e te fazer sentir que o combo é um bom negócio.
O mesmo racional vale para inúmeros outros produtos consumidos por nós.
Como estamos tratando de finanças, vale lembrar que todos os produtos financeiros estão recheados de diferentes opções justamente para te levar a escolher o mais interessante para o banco.
O paradoxo da modernidade líquida
Talvez o grande paradoxo em relação a esta modernidade líquida, esteja no fato de que parte do antídoto venha da modernidade sólida.
Não me refiro aos aspectos históricos do conceito, mas as questões de estabilidade e rigidez como deveríamos domesticar nossos desejos e impulsos.
A ideia aqui é criar formas de autoproteção contra as armadilhas emocionais cada vez mais sofisticadas.
Uma opção, seria antes de fechar uma compra de valor elevado, avaliar por 3 dias sua real necessidade, condições de pagamento e juros cobrados.
Também fazer um inventário do seu guarda-roupa e sapateira antes de ir ao shopping, vai te ajudar a ser menos volúvel.
Precisamos aprender a pensar de forma mais ampla.
São as pequenas atitudes que podem nos ajudar a navegar nestes mares agitados da vida.
Pense nisso
Quando tratamos de finanças, na família não há espaço para o individual.
Tudo passa ser em prol do coletivo, onde quem comigo não ajunta espalha (adaptado de Evangelho de Mateus 12:30-32).