O perfil da inadimplência no Brasil está mudando — e de forma inesperada. Ao contrário do que muitos imaginam, os jovens estão reduzindo sua participação nas dívidas, enquanto a inadimplência cresce entre os brasileiros mais velhos, especialmente acima dos 60 anos.
Os dados mostram que a faixa de 18 a 25 anos caiu de 15,93% para 11,45% no total de inadimplentes. Já entre os brasileiros acima de 60 anos, a participação saltou de 12,23% para 19,41% ao longo da última década.
🧓🏻 Na prática, a inadimplência está ENVELHECENDO .
Enquanto os jovens reduziram presença nas dívidas, o número de idosos negativados cresceu de forma consistente. Isso muda completamente o perfil do endividamento no país e acende um alerta: o grupo com menor capacidade de recuperação financeira é o que mais cresce no vermelho.

Fonte: Serasa
Por que os idosos estão ficando cada vez mais inadimplentes?
A mudança não acontece por acaso. Ela é resultado de uma combinação de fatores que pressionam a renda dos mais velhos.
O primeiro é a renda fixa. A maioria dos idosos depende de aposentadoria ou benefícios que não acompanham o aumento do custo de vida. Quando despesas sobem, o crédito vira complemento de renda — e não exceção.
Outro ponto é o aumento do crédito consignado. Por terem renda previsível, aposentados têm acesso facilitado a empréstimos. Isso aumenta o risco de comprometimento elevado da renda e, consequentemente, de inadimplência. Conheço caso de idosos que possuem 2, 3 ou até 4 empréstimos consignado.
Também há o fator familiar. Muitos idosos acabam assumindo despesas da casa, ajudando filhos e netos, o que pressiona ainda mais o orçamento.
Além disso, quando um jovem se endivida, ainda existe tempo para reorganizar renda. Já no caso dos idosos, a margem para recuperação é menor, e qualquer imprevisto pode levar ao atraso.
Jovem x idoso
O jovem se enrola, aprende, tem tempo de reconstruir.
O idoso entra numa dívida com outra lógica: a renda não aumenta, tempo que não volta e crédito fácil demais para quem tem benefício garantido todo mês.
Isso não é apenas uma mudança de números, é um sinal claro de que o endividamento no Brasil está ficando cada vez mais difícil de resolver.