Existe diferença entre "ter o nome sujo" e "dar calote no crédito". A primeira medida olha para qualquer conta em atraso — luz, cartão, carnê. A segunda, acompanhada pelo Banco Central, mede especificamente as operações de crédito que deixaram de ser pagas. E, por esse critério, o campeão nacional surpreende.

Segundo dados do Banco Central referentes a dezembro de 2025, o estado com a maior taxa de inadimplência de crédito da pessoa física é o Tocantins, com 8,2%. Completam o pódio Goiás, com 6,5%, e o Amazonas, com 6,4%.

Para dimensionar: a taxa do Tocantins é mais que o dobro da do estado com melhor desempenho. Santa Catarina fecha o ranking na ponta positiva, com apenas 3,9% de inadimplência de crédito — o menor patamar do país.

O Rio de Janeiro fora da curva

Um dado chama atenção no recorte regional. Entre os sete estados das regiões Sul e Sudeste — historicamente as mais ricas do país — apenas um tem inadimplência de crédito acima de 6%: o Rio de Janeiro.

A explicação, segundo analistas econômicos, está no momento vivido pela economia fluminense, considerada conturbada e sem tração nos últimos anos. É um lembrete de que renda elevada e economia diversificada não imunizam um estado contra o endividamento quando o crescimento trava.

O paradoxo dos indicadores

O cenário do calote no Brasil contrasta com outros números da economia. Inflação, desemprego e crescimento têm apresentado resultados relativamente positivos — e, mesmo assim, a sensação das famílias é de aperto.

A explicação está justamente na dívida acumulada. Mesmo com indicadores macroeconômicos sob controle, o brasileiro sente o bolso pressionado pelo peso de prestações antigas e pelo custo do crédito. No cartão de crédito, por exemplo, a inadimplência chega a quase 9% em estados como São Paulo — e os juros dessa modalidade podem ultrapassar 400% ao ano, tornando a dívida cada vez mais cara para quem não consegue quitá-la de imediato.

O que o mapa revela

A grande lição do mapa da inadimplência é que o Brasil não é um país só. Estados com menor renda média tendem a concentrar as maiores dificuldades de pagamento, enquanto os de economia mais estável mantêm o equilíbrio. A variação reflete fatores locais — renda, acesso ao crédito, desempenho dos setores que sustentam cada economia regional.

Para o consumidor, o número do seu estado é contexto, não destino. Independentemente da praça, a saída passa por trocar dívida cara por dívida barata, suspender o rotativo do cartão e calcular com frieza quanto realmente cabe no orçamento antes de assumir qualquer parcela.

"Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se assenta primeiro a fazer as contas dos gastos, para ver se tem com que a acabar?" — Lucas 14:28


Fonte dos dados: Banco Central do Brasil, taxa de inadimplência de crédito da pessoa física, referente a dezembro de 2025.