De acordo com dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIESE), o salário mínimo ideal para sustentar uma família com 4 pessoas seria de R$7.612,49.

O problema é que a realidade é bem diferente.

De todos os Estados da Federação, São Paulo é o que apresenta o melhor valor-base em 2026: R$1.874,36. Mesmo no Estado mais rico da Federação o valor ainda está muito longe do ideal.

Nos termos do artigo 7º, IV, da Constituição, o salário mínimo foi criado para atender as necessidades básicas do trabalhador e de sua família, abrangendo: moradia, alimentação, saúde, educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social.

Historicamente, a ideia de uma renda mínima foi criada em 1940. Na época existiam 14 valores diferentes para as 22 regiões do país. Só em 1984 é que o mínimo foi unificado em todo o território nacional.

Desde a unificação, a forma como o salário vem sendo reajustado criou boa parte deste abismo entre o real e o ideal.

Segundo o site InfoMoney (*), o cálculo atual de reajuste anual do mínimo considera a inflação do ano anterior (pelo INPC) somada à variação real do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, mas com um teto de aumento real de 2,5%.

Exemplificando: o INPC acumulado em 2024 foi de 4,84% e o PIB cresceu 3,2% em 2023. Como o PIB no período foi superior a 2,5%, o aumento real para o salário em 2025 foi de 7,34% ao invés de 8,04%.

Antes desta mudança, a correção seguia uma valorização que considerava o INPC integralmente e sem qualquer limitação. Isto proporcionava um poder de compra maior para as pessoas, mas por outro lado, criava um problema em relação aos gastos públicos.

É justamente neste ponto que eu vejo um sistema com pesos e medidas desproporcionais.

Quando olhamos a máquina pública, percebemos diferentes classes de servidores construindo suas próprias regras a despeito do coletivo nacional. Basta olhar por exemplo as recentes repercussões dos supersalários no judiciário.

Segundo reportagem da Agência Brasil (**), só em 2024 os supersalários no judiciário cresceram 49,3%.

Tecnicamente, os supersalários nesta categoria referem-se aos pagamentos legais que superam o teto constitucional do funcionalismo público (atualmente fixado em R$ 46.366,19). O fenômeno ocorre pelo acúmulo de gratificações e "penduricalhos" (verbas indenizatórias, licenças e adicionais) que escapam do limite legal e de tributação.

Fazendo uma pesquisa rápida no Google, o “truque” do “penduricalho” remonta a 1851, quando o termo foi forjado para descrever vantagens ou acréscimos ocultos aos vencimentos do funcionalismo público. Uma vez o benefício adquirido, ele foi aperfeiçoado administrativamente pela máquina estatal por anos para todas as esferas do Poder, sem qualquer escrúpulo ou filtro moral.

Mais recentemente houve um certo despertar para se tentar corrigir discrepâncias no judiciário, mas infelizmente o estrago já está feito e sua reversão é muito complexa independente do governo.

Isto é facilmente percebido na pirâmide social brasileira. Pelo último relatório do PNAD, um servidor que recebe salário de R$ 46 mil, sem penduricalhos e outros benefícios, já coloca o mesmo em um seleto grupo do 1% das pessoas mais ricas do Brasil.

O pior da história, é que não estamos falando de uma dúzia de servidores nesta condição. Segundo o Portal G1 (***), em 2025 existiam mais de 53 mil servidores públicos em todos os Poderes que já ganhavam acima do teto constitucional.

Pense nisso

Humanamente fica difícil acreditar que o Brasil é um país de todos, e que um dia teremos um salário mínimo digno.

Por outro lado, Jesus é o Rei dos reis (Apocalipse 19:16). Esta é uma declaração de que, apesar das adversidades, Ele tem o controle absoluto sobre a história.

Creia que dias melhores virão.

Faça a sua parte.

Ore pelos governantes e autoridades.

Cuide de suas finanças.