Conforme comentado em outro artigo, mal começou 2026 e a inadimplência no Brasil já bateu níveis recordes, com mais de 73 milhões de consumidores negativados em janeiro. Isto representa 43,88% da população adulta (pessoas entre 20 a 59 anos). Dados da CNDL/SPC Brasil mostram uma alta de 9,39% de devedores na comparação com janeiro de 2025.
Na prática, famílias endividadas atrasam dívidas já contraídas por uma questão simples: imprevisibilidade. Em novembro de 2025, o site InfoMoney publicou uma pesquisa do Datafolha mostrando que 43% dos brasileiros não têm reserva para imprevistos. Ou seja, quase metade dos brasileiros não considera que imprevistos podem acontecer e simplesmente contraem dívidas ou financiamentos com prazos duvidosos.
De certa forma acreditamos cegamente que o carro não quebra ou que ninguém vai ficar doente em casa. Planejar a vida assumindo que tudo correrá perfeitamente é perigoso, pois a probabilidade de a realidade seguir exatamente o que você planejou é de quase 0%.
Pare e pense: a vida não é um filme com um roteiro exato, onde todos os atores sabem seus papéis em um final determinado. Segundo a mesma pesquisa Datafolha, 84% dos entrevistados enfrentaram algum tipo de emergência financeira nos últimos 12 meses. Então ignorar que o "tempo e o acaso" afetam a todos, é agir sem entendimento e se expor a riscos desconhecidos que não podem ser calculados em planilhas ou aplicativos de bancos.
Abrindo um parêntese nesta questão, quanto mais imprevisíveis as coisas mais o banco ganha dinheiro. Vale lembrar que um parcela dos juros cobrados nas operações financeiras de crédito é para cobrir “pagadores duvidosos”. Fecha parentes.
No livro “A psicologia financeira”, Morgan Housel, chama isto de otimismo ingênuo.
Segundo o autor, este otimismo ingênuo cria uma mentalidade que pode levar a sérios prejuízos financeiros e emocionais. Na prática o otimismo ingênuo leva as pessoas a ignorarem a necessidade de se preparar para crises e imprevistos. Isso resulta diretamente na ausência de uma reserva de emergência ou no cuidado de selecionar o tipo e o perfil das dívidas contraídas.
O texto de Lucas 14:28 traz uma reflexão interessante para aplicação neste cenário:
“Qual de vocês, se quiser construir uma torre, não se assenta primeiro e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?"
💡 Pense nisso. Avaliar corretamente os riscos envolvidos antes de se endividar, previnem as aflições futuras.