Em um vídeo publicado no dia 27 de maio nas redes sociais (*), o parlamentar disse textualmente que é preciso piorar o país para depois melhorá-lo. A postagem está atrelada ao debate sobre a aprovação da escala de trabalho 6x1 e seus possíveis impactos sobre a economia.

Reservadas as questões da legitimidade de um debate sério, as palavras proferidas por Nikolas são chocantes e eu discordo totalmente. O parlamentar esquece que estamos todos neste “barco” chamado Brasil. Inclusive ele, sua família, sua igreja e entes queridos.

Não me parece uma forma adequada de tratar as diferenças, principalmente quando os interesses pessoais ferem o coletivo. A economia de um país é um assunto sério e deveria transcender as bravatas ideológicas, principalmente em um momento tão delicado.

A população sangra financeiramente pelas dívidas e juros. As previsões para 2027 em relação ao endividamento das famílias não são animadoras. Neste contexto, sua fala demonstra uma falta de sensibilidade e empatia com o próximo, bem como aflora seu despreparo frente aos desafios da sociedade.

Não se trata aqui de desqualificar a pessoa, mas de lembra que as ações de um parlamentar deveriam estar sempre relacionadas a melhoria de vida das pessoas e nunca o contrário. Um indivíduo que foi eleito com quase 1,5 milhão de votos e tem mais de 26 milhões de seguidores no instagram, não pode se dar ao luxo de se posicionar desta forma.

Mais do que isto, a base bíblica que temos em comum não apresenta precedentes que o habilite a desejar o mal do próximo, muito menos de uma nação inteira.

Em outro posicionamento controverso em 2023, segundo reportagem do site de notícias ICL, Nikolas e outros 17 parlamentares se posicionaram contra a votação em regime de urgência do texto que limitavam os juros no cartão de crédito (**).

Ainda segundo a reportagem, quando questionados, nem Nikolas nem os demais deputados contrários apresentaram justificativas em relação ao posicionamento. Simplesmente foram contra a urgência para resolver uma das maiores aberrações mundiais sobre juros.

Só relembrando, o projeto aprovado posteriormente pela câmara, determinou que o total cobrado em juros e encargos no crédito rotativo e no parcelamento da fatura não poderiam ultrapassar em 100% o valor original da dívida.

Por exemplo, se você deixou de pagar R$100,00 ou parcelou com juros esse valor, os juros e outros custos do rotativo ou do parcelamento não poderiam ser maiores que R$100,00.

Antes da regulamentação, os juros compostos somados ao crédito rotativo faziam com que pequenas dívidas pudessem quadruplicar ou crescer de forma ilimitada em um ano.

Ou seja, o projeto proporcionou um alívio para as famílias que viviam presas as armadilhas do crédito rotativo infinito.

Talvez o referido deputado pudesse ter usado a época de sua influência e projeção para acelerar e não retardar a votação da pauta.

Vale lembrar que a Lei não resolveu o problema, mas permitiu que mais 70 milhões de brasileiros saíssem da inadimplência nos meses seguintes.

Pense nisso

Podemos até discordar sobre muitos aspectos da governança em nosso país, mas desejar o pior às pessoas é antibíblico. Pois quando alguém diz: "Eu sou de Paulo", e outro: "Eu sou de Apolo", estamos sendo mundanos demais; a final de contas Jesus precisa governar nossas posições (adaptado de 1 Co 3:4).


(*)https://www.facebook.com/congressoemfoco/videos/o-deputado-nikolas-ferreira-afirmou-nas-redes-sociais-que-a-direita-pode-apoiar-/2264523801026750/

(**)https://iclnoticias.com.br/saiba-quem-sao-os-18-deputados-que-votaram-contra-limitar-juros-no-cartao-de-credito/